A preservação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais têm sido temas centrais nas discussões sobre o meio ambiente, impulsionados pela crescente degradação causada pela ação humana. O consumo irresponsável de recursos está comprometendo a biodiversidade, gerando desertificação e colocando em risco as gerações futuras. No Pará, a preocupação se volta para os incêndios florestais, que têm se intensificado. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em julho de 2024, o Pará, junto com o Amazonas e o Acre, foi responsável por 77% do desmatamento na Amazônia. Diante dessa crise, o governo do estado decretou a proibição do uso de fogo, inclusive para fins de manejo e limpeza de áreas, por 180 dias.
Para reforçar as medidas de proteção, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) também se mobilizou através do Programa de Educação Ambiental (PEA), focando suas ações ao longo das rodovias Transamazônica e Transcametá. O programa busca conscientizar e capacitar as comunidades que são diretamente afetadas por estes desafios, promovendo a educação ambiental como um motor de transformação social. No dia 10 de outubro de 2024, produtores rurais da região da BR-422 participaram de uma dessas ações do PEA em parceria com o 8º Grupamento do Corpo de Bombeiros Militar e a Patrulha Rural da Polícia Militar.
A capacitação teve início por meio de palestras ministradas tanto pelo PEA quanto pelo sargento Palheta, que abordou tanto aspectos teóricos quanto práticos. Os produtores receberam instruções sobre o uso controlado do fogo, além de orientações sobre a legislação ambiental vigente, incluindo o decreto estadual. Também foram treinados para o combate eficiente a incêndios florestais, uma necessidade urgente para quem lida diretamente com essa realidade.
A parte prática do treinamento foi conduzida pelo 3º sargento dos Bombeiros Militares, Luiz Palheta, especialista em combate a incêndios florestais. “Quando formamos multiplicadores, estamos criando uma mão de obra qualificada para atuar no controle de incêndios florestais. Isso é essencial, pois o tempo de deslocamento das nossas equipes até as áreas afetadas pode ser decisivo. Com esse treinamento, os produtores poderão realizar o primeiro combate, diminuindo a devastação”, afirmou o sargento Palheta.
O DNIT acredita que a educação ambiental é uma ferramenta poderosa na construção de um comprometimento socioambiental sustentável no meio rural. A proposta é estimular os produtores a repensarem práticas agrícolas, substituindo métodos antigos por abordagens mais conscientes e menos prejudiciais ao meio ambiente. Dado o predomínio da agricultura familiar na região, o objetivo é promover o desenvolvimento sustentável, a preservação dos recursos naturais e a redução das desigualdades sociais, contribuindo para uma sociedade mais justa e equilibrada.
“Considerando o cenário atual da região amazônica, treinamentos sobre temas como incêndios florestais são de extrema importância. Esses treinamentos nos permitem compreender, na prática, os desafios que a fauna e a flora enfrentam. Além disso, eles ajudam a conscientizar as pessoas sobre a gravidade das queimadas irregulares, permitindo que o ser humano reflita sobre o impacto dessas ações.” Destacou o Biólogo e palestrante Wanderson Sena.